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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Fazer pela vida

Já há uns meses, não muitos, o Nuno Gomes divulgou no Belém Livre um anúncio do Atlético de Madrid - este, em concreto - lembrando a necessidade imperiosa e urgente de recuperarmos sócios, de agarrar a nossa gente procurando alargar as bases sociais de apoio. O post era muito bom, como assinalei na altura, e ontem voltei a lembrar-me dele por ocasião da entrevista ao Correio da Manhã de Jorge Coroado em que o novo presidente da Mesa da AG do Belenenses afirmava categoricamente sermos hoje 7.000 sócios pagantes (estranhamente, dizia-o como se de um número significativo se tratasse). Sete mil, caramba! E desses, talvez fosse necessário contabilizar quantos pagam as quotas em virtude dos serviços de que usufruem ou por via de terem filhos a praticar desporto no Restelo. Feitas essas contas, alguém arrisca quantos sobram...?
Somos hoje poucos; mas quero crer que o primeiro passo para que possamos inverter a marcha é ter disso consciência - no fundo, o inverso da velha conversa da avestruz. Não somos, nem de longe nem de perto, o único clube do mundo que tem que dividir uma cidade com dois colossos comerciais, antes pelo contrário. Mas talvez já sejamos o único que se conforma com esse facto, nada fazendo para contrariar, usando dos meios que a modernidade impõe e facilita, a lógica das coisas. É isso que, de todo, não podemos admitir - sob pena de que, dentro de uns anos - poucos -, já não seja sequer racional abordarmos este tipo de temas. Ora, como que me juntando a essa cruzada pela sobrevivência, aqui fica um outro anúncio do Atlético de Madrid (que tem muitos e bons, fazendo-os frequentemente apesar de não estar nem perto da nossa situação). Estou firmemente convencido de que estes 25 segundos de televisão são profundamente entendidos por todos os belenenses que se preocupam.



O Atlético adapta os anúncios às situações. Tal e qual como nós, sabe o que é o inferno da segunda divisão e por isso, quando subiu, fez isto. Este ano, não esquecendo a necessidade aumentar os "abonados" apesar da Champions League, foi por aqui. É o que se chama não dormir em serviço.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Parabéns Belenenses! 89 anos com os olhos postos no futuro...


Foi neste simples banco de jardim da Praça Afonso de Albuquerque que, passam hoje 89 anos, um grupo de rapazes da praia - sob o comando dessa enorme figura do futebol que foi Artur José Pereira -, ousou criar grandeza a partir do nada, desafiando ao mesmo tempo os poderes desportivos já então instituídos. Assim nascia o Clube de Futebol "Os Belenenses", que entretanto, com enorme vontade e retirando das adversidades trunfos, se fez Senhor de uma História ímpar no quadro do desporto português. Uma História que bem conhecemos e que tanto nos orgulha, recheada de páginas gloriosas e de outras tantas dificuldades, momentos que supostamente deveremos aproveitar para aprender e corrigir, dando a volta por cima e evitando novo erro. Ora, com mais ou menos problemas que se foram atravessando no nosso percurso, certo é que os que já partiram - e os menos novos que felizmente ainda se encontram entre nós -, nos legaram esta marca distintiva de carácter, de fidelidade e de coragem: o Clube de Futebol "Os Belenenses"!
Pois que é nosso dever - inalienável e sem admissão de desistências! - transmiti-lo aos mais novos, aos nossos filhos; e, não menos relevante, devemos deixar um Belenenses, no mínimo, igual ao que herdámos. Sejamos claros: uma falha neste capítulo deve fazer - a todos nós, os belenenses do séc. XXI - com que coremos de vergonha; porque de outro modo não seremos dignos herdeiros do espírito inquebrantável que caracterizava os nossos fundadores.

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No entretanto, entendeu o destino que celebremos este 89º aniversário em plena "crise directiva" (que não é só directiva, mas antes mais ampla) divididos e com inúmeras feridas por sarar. Somos hoje poucos, é certo, somos pelo menos muitos menos do que mandaria a lógica e uma História gloriosa de praticamente nove décadas. Sucede que apesar de sermos poucos, não creio que nos falte massa crítica - e a quantidade de pessoas que diariamente dá prova de se preocupar com a vida do clube aí está para o demonstrar à exaustão. E se assim é, o que então talvez nos falte - a todos, que nesta matéria ninguém está provavelmente isento de culpas -, é a humildade suficiente para que se reconheça que, se é certo que todos temos as nossas razões (e convicções), há algo muito mais importante que a todos une e que facilmente identificamos: quando entra em campo aquela Camisola Azul de Cruz de Cristo ao peito nós gritamos, nós torcemos, nós vibramos, nós sofremos.
O problema está, então, fora das quatro linhas: notem que não peço unanimidades nem o abandono da legítima opinião de cada um - nem estaria no direito de o fazer, até porque, a meu ver, há feridas fundas que o desaconselhariam. Peço apenas que todos acreditem que o retomar dos caminhos da grandeza é possível, peço algum bom-senso, um nadinha de justiça e uma firme vontade comum de levar o barco a bom porto - mesmo que para isso todos tenhamos que ceder um pouco. Porque se alguma dúvida eu não tenho é a de que quantos mais remarmos para o mesmo lado, mais fortes seremos.
Às vezes pergunto-me o que pensariam aqueles valorosos rapazes da praia se um destes dias aterrassem no Restelo.

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O Programa das Comemorações oficiais está disponível aqui.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Barros Rodrigues vai liderar o Belenenses até às eleições

Notícia A Bola:
Barros Rodrigues vai liderar o Belenenses até às eleições. Gouveia da Veiga, Ricardo Ferreira e Miguel Ferreira são figuras já garantidas.

O Belenenses atravessa mais uma crise na sua história. O presidente da Assembleia Geral, José Manuel Anes, sabe-o como ninguém. Por isso, no próximo dia 26, vai propor aos sócios uma comissão de gestão composta por personalidades de vários quadrantes, que são rostos conhecidos no Restelo e que, pelas suas ideias ou experiência, garantem o consenso entre as várias sensibilidades do clube, essencial para a revitalização do Belenenses.

Barros Rodrigues será o líder da comissão, devendo ficar, igualmente, com a pasta do futebol, já que, outrora, desempenhou essas funções com reconhecido mérito, podendo oferecer a estabilidade de que o plantel azul necessita para atacar esta temporada.

Outros nomes convidados para esta comissão e que, ao que tudo indica, vão aceitar esta missão: Gouveia da Veiga, candidato derrotado nas penúltimas eleições, mas bastante respeitado no Restelo e apontado como próximo presidente do Belenenses; Ricardo Ferreira, candidato ao Conselho Fiscal nas últimas eleições; Miguel Ferreira, antigo administrador da sociedade anónima desportiva belenense no mandato de Cabral Ferreira. A estes elementos deverão juntar-se outras personalidades, ainda a ser contactadas por José Manuel Anes.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O Estado da Nação

I
Ausente que estive, lá por fora e a lutar pela vida, só agora consigo alinhavar duas ou três ideias sobre o actual momento do Belenenses. A primeira é simples e nem preciso de recorrer à minha pena; basta copiar para aqui a incredulidade do Luciano Rodrigues, que subscrevo por inteiro:
O que leva alguém a candidatar-se a Presidente de um dos maiores clubes de futebol nacionais, pedir um empréstimo avultado sem nada explicar aos sócios, dando apenas a sua garantia de que sabia o que estava a fazer, construír um plantel repleto de interrogações e depois saír de repente, deixando o clube sem ninguém ao leme, com responsabilidades enormes perante a banca e com sérias dificuldades desportivas?
II
Isto dito e perguntado (ou por outra, subscrito), acrescente-se que por razões várias a demissão de Fernando Sequeira em nada me surpreende. O que me surpreende ainda é a irresponsabilidade e a ligeireza com que é possível encarar o Belenenses, seja da parte de quem assume o (pesado) encargo para fugir na primeira oportunidade, seja da parte de quem empurra os primeiros para que assumam tarefas que nós, adeptos autênticos, reputamos como nobres e merecedoras de incontido orgulho. Não absolvendo os empurrados, talvez que estes que empurram - sabe-se lá com que motivos, embora se suspeite - tenham uma maior responsabilidade do que aqueles que são empurrados, embora estes vejam também oportunidades de ouro sabe-se lá para quê. Mas um dia ainda se vai saber, olá se vai.

III
Resta dizer que as razões alegadas para a demissão de Fernando Sequeira - os tais insultos e ameaças - tocam a comédia. Não apenas porque pretende que todos sejamos burros e nada saibamos de sociologia das massas (e do futebol), mas sobretudo porque a desculpa vem da parte de alguém que já em Abril se queixava disso em termos muito graves, sem que, ao que se saiba, tenha apresentado qualquer queixa junto das autoridades competentes. Ou seja: muito se agradecia que Fernando Sequeira tivesse a hombridade de esclarecer com honestidade as razões da sua fuga a quantos nele confiaram recentemente - a ponto de lhe passarem um perigoso cheque em branco. E de preferência que o faça já no próximo dia 26 de Setembro, em Assembleia Geral.

IV
Por fim, lamenta-se que o Conselho Geral já tenha tomado em mãos a condução do processo - de um processo que em primeira análise competiria apenas ao presidente da Mesa da AG e aos associados. Por certo que enquanto permitirmos (são os sócios, todos nós, que o permitimos) que vinte ou trinta pretendentes a detentores da verdade clubista possam decidir mais ou menos às escondidas os que ficam e não ficam, os que avançam e os que sossegam, os que falam e os que não servem, não revolucionamos nada e chegamos a lado nenhum. Mas o facto é que perante a tranquilidade dos associados a coisa repete-se, repete-se... e repete-se... e já cansa.

V.
No entretanto, somos cada vez menos a pagar quotas e a dizer "presente!" no Restelo - sem que a proximidade do precipício assuste o douto Conselho. Para ele, as eleições e a apresentação de projectos sustentados para mandatos inteiros (sobretudo se não os controlam) podem esperar, como se o tempo não fosse um problema. Sucede que o Belém não pode esperar muito mais para inverter atempadamente a marcha. Que ao menos disso haja consciência.

domingo, 31 de agosto de 2008

Belém Até Morrer

Há dias em que eu dou graças a Deus pelos poucos comentários que por aqui se deixam e este é um deles. Na verdade, é com muita tristeza que vejo o encerramento do Belém Até Morrer, um espaço verdadeiramente de referência onde o Alcides dava cartas - e de borla! - pela (ausência de) "comunicação empresarial" do Belenenses. Alguém não tinha visto o treino de conjunto? Visitava o Belém Até Morrer; queria (re)ver aquele golo do futsal? A solução era simples: Belém Até Morrer. O resumo do andebol? Belém Até Morrer; A conferência de imprensa de antevisão do jogo? Belém Até Morrer...
No fundo, o Alcides disponibilizava gratuitamente parte daquilo que todos os clubes do mundo minimamente organizados disponibilizam a pagar. Uma espécie de "conteúdos premium", pelos quais obviamente é suposto as pessoas pagarem, conforme tive oportunidade de lhe dizer por mais do que uma vez. A partir de hoje, parece que o Alcides fechou a loja. Isto é mais grave do que parece: revela que os Belenenses com letra grande que faziam da blogosfera azul um local interessante - o nosso amigo Miguel Amaral era outro exemplo - começam a revelar cansaço. Cansaço das tricas, das quintinhas, dos interesses, do diz que disse que por vezes chega a ser nojento. Mas revela também que os Belenenses com letra grande são gente bem formada na qual nos podemos rever. E revela também outra coisa: que a absoluta inépcia do clube em termos de comunicação será cada vez mais evidente.
Daqui, deste cantinho que felizmente quase não tem comentários, deixo ao Alcides - que também já tinha provado as suas qualidades no "merchandising" - um grande abraço e um ainda maior obrigado. Que a Direcção tenha os necessários dois dedinhos de testa para aproveitar o que salta aos olhos de qualquer pessoa normal.

Como eu quero crer que o Alcides pertence à categoria daqueles que não conseguem ficar parados, livrando-se do bichinho azul, olha, meu caro... arranca com um site não oficial!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Recuperação de sócios

No passado domingo, dia 29 de Junho, a página 8 d' A Bola titulava "Amnistia para sócios devedores". E em notícia de página inteira, seguiam-se os factos que aliás se resumem em três ou quatro linhas: o Sporting garante ter 90 mil sócios sendo que, desses, apenas 50 mil pagam quotas; quase metade, portanto. Ora, constatando o (sério) problema, a "task-force" lagarta avançou com a medida óbvia - a amnistia. Neste quadro, os 40 mil devedores podem agora apresentar-se na secretaria do mais feio estádio alfacinha e, retomando o pagamento de quotas a partir de Janeiro de 2008, voltam a adquirir todas as vantagens que a agremiação disponibiliza aos seus associados e, de caminho, ainda garantem a manutenção do respectivo número de sócio.
Falamos, é claro, de um clube que não é credor da minha simpatia - antes pelo contrário - mas que parece perceber a importância de não deixar escapar, pelo menos, os que já estão (ou estiveram) convencidos. E apesar da machadada de fiéis que pelos vistos se vai sentindo por aquelas bandas, olhem que eles continuam a ser mais do que as mães. Para meu pesar, verifico-o diariamente na turma onde a minha filha resiste heroicamente de Cruz de Cristo ao peito - e onde a praga se faz sentir para aí numa proporção de 7 ou 8 em cada 10...
E tudo isto para chegar ao essencial: quantos belenenses deixaram de pagar quotas desde a última renumeração? Quantos deles estariam disponíveis para retomar a sua condição de associados perante uma iniciativa que os chamasse de novo à família belenense? Quantos desses, em face de iniciativas complementares, estariam na disposição de inscrever os seus filhos ou sobrinhos? Poucos? Sempre seria melhor do que nenhuns, tanto mais que é visível que precisamos hoje de gente como de pão para a boca!
Sonhando um pouco mais longe: qual a extraordinária razão capaz de explicar que ser sócio do Belenenses não traga qualquer vantagem a quem ostenta tal condição? Nada de nada, zero vezes zero...! Lembro agora um texto que deixei no Canto Azul em Outubro de 2006, consequência de uma viagem ao Funchal em que trouxe comigo um livrinho elencando todas as vantagens de ser sócio do Marítimo. Acreditem ou não, até no talho quela rapaziada tinha desconto! E nós a vê-los passar...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Instabilidade à vista?

N' A Bola: Eleições à vista no Belenenses:
O Conselho Fiscal do Belenenses apresentou o pedido de demissão ao presidente da Assembleia Geral, José Manuel Anes. A queda do órgão presidido por João Neves deverá levar à convocação de eleições antecipadas no clube.
O responsável pela AG já confirmou a A BOLA a existência da carta de demissão, que só amanhã poderá recolher, e admitiu que a solução para o problema passa pela convocação de eleições para todos os órgãos.
Assim, a Direcção presidida por Fernando Sequeira, eleita em Março deste ano, poderá ter os dias contados, faltando saber, neste momento, se voltará a candidatar-se.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

E continuam...

Quando ainda estamos numa fase de transição directiva, sucedem-se notícias estranhas, no mínimo curiosas, que à falta de confirmação ou desmentido, confesso que me deixam, no mínimo também, inquieto.
É uma série de jogadores que saem a custo zero. Logo, afinal, não é bem assim, e parece haver negociações, ou nem isso, porque o Belenenses ainda tem palavra e direitos a fazer valer.
Ao mesmo tempo, esvaziando a utilidade de uma auditoria, parece que alguém já chegou à conclusão que o problema está na SAD, no orçamento do futebol que tem de ser reduzido para metade e o treinador que ganha muito (divulgando-se números aos jornais).
Ah, e o treinador, pode ir para Braga a custo zero, ou para o Benfica, depois já não pode, mas o Presidente já tem Daúto Faquirá na mira.

Não me vou demorar com absurdos, não quero crer - muito sinceramente - que seja a Direccção a responsável por alimentar esta boataria. Até porque alguma dela, pelo menos em toda a sua aparência, é mais própria de inimigos e detractores do Belenenses. Ou melhor, saqueadores oportunistas que aproveitam o "interregno" para (re)conquistar proveitos, poder, ou tão só derrear e tombar uma equipa que disputou a Taça de Portugal, foi à UEFA, participou com brio em troféus internacionais (vencendo um), realizou mais valias consideráveis (para o livro dos recordes da história do clube) com a venda de jogadores e, apesar de tudo, apesar da rotação do plantel, está de novo a lutar por um lugar na UEFA.
Quanto às contas da SAD, nem mesmo esta imprensa tem conseguido pegar em nada de concreto (admitindo num caso que o desiquilíbrio estaria no Clube e não na SAD).

Da minha parte, sei bem onde se desperdiçam recursos com poucas ou nenhumas contrapartidas (em termos de conquista de sócios, adeptos e realização de receitas). Velhos vícios, em relação aos quais o único que poderia assacar à anterior Direcção (em relação aos velhos vícios, reitero) seria o não ter actuado mais firme e decisivamente sobre todos eles.
Não quero um Belenenses do século passado, senão terá o mesmo destino que o dito - acabou.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Quem não se sente não é filho de boa gente

Há silêncios estranhos. Permito-me acompanhar vários consócios com quem tenho trocado impressões e que reclamam por esta altura, 24 horas depois do roubo do Restelo, uma posição firme dos nossos dirigentes - admitindo que os há...
Desculpem os meus amigos mas custa-me verificar que pela segunda vez esta época somos escandalosamente espoliados e, curiosamente, sempre em benefício do(s) mesmo(s). A maioria dos adeptos apontam um apito verde na génese do problema, agora que de forma cada vez mais evidente lhes apertamos a margem de erro. Eu até concordo mas não isento de culpas o berço da nacionalidade. Enfim, palpites. O certo é que a encomenda não foi para o adversário de ontem - algo me diz aliás que o Marítimo vai pagar estes pontos a muito curto prazo -, mas seja quem seja o beneficiado o que se passou no Restelo é demasiado grave para se compadecer com o silêncio que se faz notar em Belém.
Bem sei que, para infelicidade nossa (e desde logo, como é evidente, do próprio), não podemos contar desta vez com Cabral Ferreira. Mas a SAD ainda tem quórum, caramba! E o clube, ao que se publicou, tem uma Comissão de Gestão ou coisa que o valha. Estranha-se por isso que nem a SAD se manifeste, nem a tal Comissão ou lá o que é diga de sua justiça. Não querem convocar uma conferência de imprensa e "partir a loiça"? Pois bem, não é preciso: solicitem uma reunião com carácter de urgência à Liga, ao dr. Hermínio e ao sr. Pereira, onde de caminho possam perguntar se a resolução do "caso Meyong" está guardada para o final da época consoante as "necessidades" do "sistema". Não querem reunir? Anunciem o veto ao pseudo-árbitro de Vila Real ainda que se saiba que a figura do veto não tem efeitos práticos. Há um sem fim de opções no cardápio, basta querer levantar o dito da cadeira!
Perante o silêncio, mais grave é constatar que, ao invés, uma das figuras de maior relevo no status quo, Jorge Coroado, se insurgiu isso sim contra os de dentro, ao mesmo tempo que anda entretido a comentar as arbitragens de terceiros na imprensa escrita e falada, num exercício que, para o próprio, deveria suscitar uma leve noção de incompatibilidades; mas isso é lá com ele. Que sejam os adeptos do Belenenses a ter que lhe aturar os resultados (ou ausência deles) dos caprichos mediáticos é que já não me parece bem.
É triste dizê-lo, mas no demissionismo que por estes dias reina no Restelo, salvou-se o speaker. Que venha a multa. Estas até dão gosto a pagar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Sem comentários...

Rádio Renascença - Vazio directivo, debandada geral no Restelo:

Vazio directivo no Belenenses. José Manuel Anes, presidente da Assembleia Geral demitiu-se. Anes tinha assumido nos últimos dias a Comissão de Gestão, desde a demissão de Cabral Ferreira. Anes abandona por motivos de saúde. À luz dos estatutos, o vice Jorge Coroado deveria assumir a liderança da Comissão de Gestão, mas Coroado também deve demitir-se, bem como João Neves, o presidente do Conselho Fiscal. O Conselho Geral do Belenenses reúne-se de urgência na próxima semana para tentar encontrar uma solução.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Demissão formalizada na segunda-feira

Um despacho da Agência Lusa já datado da noite de hoje indica que Cabral Ferreira vai entregar na segunda-feira ao presidente da Assembleia Geral do Belenenses, José Manuel Anes, a carta de demissão da presidência da Direcção do clube: «Depois de ter comunicado o meu impedimento de continuar como presidente da Direcção do Belenenses, vou formalizar na segunda-feira a demissão do clube», referiu Cabral Ferreira, após uma reunião da SAD, a que continuará a presidir até 31 deste mês.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Eleições à vista

Comunicado dos Órgãos Sociais do Belenenses:

1. Realizou-se, hoje, uma reunião dos Órgãos Sociais do Clube de Futebol «Os Belenenses», na qual o Presidente da Direcção informou do contínuo agravamento do seu estado de saúde, facto que já era do conhecimento público. Comunicou ainda que, face aos acontecimentos recentes e à acção directiva reforçada que os mesmos impõem, a sua situação clínica não lhe permite acompanhar a evolução dos mesmos como tem vindo a fazer até à presente data.

2. Em face desta constatação, informou do seu impedimento imediato, pelo que será substituído nas suas funções pelo Vice-Presidente Carlos Rui Viana de Carvalho, formalizando, em data posterior, junto do Presidente da Assembleia-geral, a sua demissão de presidente do Clube de Futebol «Os Belenenses».

3. Os Órgãos Sociais do Clube manifestam o enorme apreço pela acção do Presidente da Direcção e realçam a dignidade desta atitude em face do agravamento do seu estado de saúde.

4. Apelam, ainda, à unidade de todos os Belenenses, visando, nesta hora difícil, o reforço da estabilidade desportiva e a procura das melhores soluções para o engrandecimento do Clube.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Do tempo presente

Houve uma altura em que eu, ainda recém-refeito da adolescência, tinha a mania que um dia havia de dar cartas no Belenenses. Presidente - aqui o confesso - nunca pretendi ser, mas ter voto na matéria era sonho de miúdo que me perseguia. A coisa prosseguiu até que cresci, não me largou e, a dado passo, a oportunidade parecia poder concretizar-se, um pouco na sequência daquela que reputo como a mais lamentável Assembleia Geral de sempre da História do Belenenses, aliás inferiormente dirigida pelo então presidente da Mesa Alberto Regueira. Meses volvidos e experimentada a (quase) campanha eleitoral, deixei-me disso: era muito baixa política para a minha camioneta, tão baixa que terminou aliás no Tribunal. Não tenho hoje a mais pequena ambição para além de ajudar sempre que isso pareça estar ao meu alcance - o que aliás tenho feito e continuo a fazer sempre que isso se me afigure possível.
Actualmente, mais do que o Belenenses "que herdei", interessa-me o Belenenses que "vou legar" aos meus filhos. E nesse quadro, parece que não sendo bastantes as forças de bloqueio que sopram do exterior, são os próprios belenenses os que primeiro entendem colocar pedras na engrenagem. Confesso que a perfeita consciência dessa percepção me custa. E custa-me desde logo porque tenho uma filha com cinco anos - quase seis - já plena herdeira da doença azul, que diariamente tem que enfrentar (diga-se que com grande merecimento, boa capacidade de resposta e sem papas na língua) uma turma alfacinha de lagartos e lampiões cheios do respectivo "merchandising" vendido em cada rua de Lisboa e me pergunta por que raio nada do Belenenses se vende em lado nenhum sem que eu lhe saiba ainda responder... - que mentir-lhe não é comigo! A mesma miúda que saiu do Estádio Nacional a choramingar, vai para uns meses, porque nunca lhe ocorreu que fosse possível perder com os lagartos. E, em paralelo, penso para com os meus botões que já viu o Belenenses numa final da Taça - feito que eu demorei mais de quinze anos a presenciar - e essa é que é essa!
Isto para constatar que embora cada vez mais pequenos, embora tenhamos a vida cada vez mais difícil, parece que somos sempre suficicientes para, ao invés de darmos as mãos remando num mesmo sentido (aquele que afinal de contas - caramba! - nos interessa a todos), criar ou acentuar a divisão. Com efeito, minimizada a ambição adolescente, vejo hoje com a clareza que algum distanciamento proporciona - embora com a mesma paixão clubista - que este estado de constante guerra civil que se vive para os lados do Restelo aproveita apenas aos nossos rivais.
Tudo o que antecede para rematar o seguinte: depois de em Abril uma data deles terem dado uma maioria (quase) esmagadora a Cabral Ferreira, os associados do Belenenses - pouco mais de uma centena, no caso concreto - chumbaram em Assembleia Geral nova proposta de Orçamento e aumento de quotização. Nada que constitua portanto novidade de maior, na medida em que a nega começa a ser um lamentável 'must' da vida do Clube. Eu, no lugar do Cabral Ferreira, para o ano não perdia cinco minutos que fosse a desenhar os quadradinhos...