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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Barros Rodrigues vai liderar o Belenenses até às eleições

Notícia A Bola:
Barros Rodrigues vai liderar o Belenenses até às eleições. Gouveia da Veiga, Ricardo Ferreira e Miguel Ferreira são figuras já garantidas.

O Belenenses atravessa mais uma crise na sua história. O presidente da Assembleia Geral, José Manuel Anes, sabe-o como ninguém. Por isso, no próximo dia 26, vai propor aos sócios uma comissão de gestão composta por personalidades de vários quadrantes, que são rostos conhecidos no Restelo e que, pelas suas ideias ou experiência, garantem o consenso entre as várias sensibilidades do clube, essencial para a revitalização do Belenenses.

Barros Rodrigues será o líder da comissão, devendo ficar, igualmente, com a pasta do futebol, já que, outrora, desempenhou essas funções com reconhecido mérito, podendo oferecer a estabilidade de que o plantel azul necessita para atacar esta temporada.

Outros nomes convidados para esta comissão e que, ao que tudo indica, vão aceitar esta missão: Gouveia da Veiga, candidato derrotado nas penúltimas eleições, mas bastante respeitado no Restelo e apontado como próximo presidente do Belenenses; Ricardo Ferreira, candidato ao Conselho Fiscal nas últimas eleições; Miguel Ferreira, antigo administrador da sociedade anónima desportiva belenense no mandato de Cabral Ferreira. A estes elementos deverão juntar-se outras personalidades, ainda a ser contactadas por José Manuel Anes.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O Estado da Nação

I
Ausente que estive, lá por fora e a lutar pela vida, só agora consigo alinhavar duas ou três ideias sobre o actual momento do Belenenses. A primeira é simples e nem preciso de recorrer à minha pena; basta copiar para aqui a incredulidade do Luciano Rodrigues, que subscrevo por inteiro:
O que leva alguém a candidatar-se a Presidente de um dos maiores clubes de futebol nacionais, pedir um empréstimo avultado sem nada explicar aos sócios, dando apenas a sua garantia de que sabia o que estava a fazer, construír um plantel repleto de interrogações e depois saír de repente, deixando o clube sem ninguém ao leme, com responsabilidades enormes perante a banca e com sérias dificuldades desportivas?
II
Isto dito e perguntado (ou por outra, subscrito), acrescente-se que por razões várias a demissão de Fernando Sequeira em nada me surpreende. O que me surpreende ainda é a irresponsabilidade e a ligeireza com que é possível encarar o Belenenses, seja da parte de quem assume o (pesado) encargo para fugir na primeira oportunidade, seja da parte de quem empurra os primeiros para que assumam tarefas que nós, adeptos autênticos, reputamos como nobres e merecedoras de incontido orgulho. Não absolvendo os empurrados, talvez que estes que empurram - sabe-se lá com que motivos, embora se suspeite - tenham uma maior responsabilidade do que aqueles que são empurrados, embora estes vejam também oportunidades de ouro sabe-se lá para quê. Mas um dia ainda se vai saber, olá se vai.

III
Resta dizer que as razões alegadas para a demissão de Fernando Sequeira - os tais insultos e ameaças - tocam a comédia. Não apenas porque pretende que todos sejamos burros e nada saibamos de sociologia das massas (e do futebol), mas sobretudo porque a desculpa vem da parte de alguém que já em Abril se queixava disso em termos muito graves, sem que, ao que se saiba, tenha apresentado qualquer queixa junto das autoridades competentes. Ou seja: muito se agradecia que Fernando Sequeira tivesse a hombridade de esclarecer com honestidade as razões da sua fuga a quantos nele confiaram recentemente - a ponto de lhe passarem um perigoso cheque em branco. E de preferência que o faça já no próximo dia 26 de Setembro, em Assembleia Geral.

IV
Por fim, lamenta-se que o Conselho Geral já tenha tomado em mãos a condução do processo - de um processo que em primeira análise competiria apenas ao presidente da Mesa da AG e aos associados. Por certo que enquanto permitirmos (são os sócios, todos nós, que o permitimos) que vinte ou trinta pretendentes a detentores da verdade clubista possam decidir mais ou menos às escondidas os que ficam e não ficam, os que avançam e os que sossegam, os que falam e os que não servem, não revolucionamos nada e chegamos a lado nenhum. Mas o facto é que perante a tranquilidade dos associados a coisa repete-se, repete-se... e repete-se... e já cansa.

V.
No entretanto, somos cada vez menos a pagar quotas e a dizer "presente!" no Restelo - sem que a proximidade do precipício assuste o douto Conselho. Para ele, as eleições e a apresentação de projectos sustentados para mandatos inteiros (sobretudo se não os controlam) podem esperar, como se o tempo não fosse um problema. Sucede que o Belém não pode esperar muito mais para inverter atempadamente a marcha. Que ao menos disso haja consciência.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Sobre a demissão da direcção

Sem me alongar muito sobre um tema que tem tido muitos análises nas caixas de comentários dos blogues azuis, em especial do deste amigo, deixo algumas notas sobre aquilo que penso a propósito da demissão de Fernando Sequeira da direcção do Belenenses (escusado dizer que estas opiniões não são necessariamente as mesmas das dos meus colegas de blogue):
1) Não votei em Fernando Sequeira. Aproveitando-se do estado de saúde de Cabral Ferreira e do "caso Meyong" certas pessoas na prática promoveram um golpe palaciano conduzindo a eleições antecipadas.
2) Por motivos não muito claros, foi definido que o mandato do futuro presidente seria de apenas um ano.
3) Tal facto desmotivou e desmobilizou potenciais candidatos à excepção do ex-administrador da CGD.
4) FS cedo se incompatibilizou com Jorge Jesus, o que pode ter resultado de falta de tacto por parte daquele como pelo facto de JJ já ter destino traçado e ter aproveitado um pretexto para mais facilmente rumar a Braga.
5) Desde cedo houve rumores de que a direcção de FS tinha interesses imobiliários relacionados com o espaço do nosso complexo desportivo. As declarações de João Neves ao Record reforçam essa ideia, embora no Belenenses seja sempre muito difícil perceber-se quem é que fala a verdade.
6) A construção do plantel de futebol foi um "case study" de impreparação, falta de planeamento - e provavelmente o resultado de interesses inconfessáveis, que passariam por empresários e eventuais pagamentos irregulares: a chegada de quase duas dezenas de brasileiros, desconhecedores do nosso futebol, de qualidade muito variada (mas nunca passando do mediano para um clube que tem aspirações à UEFA) a par da dispensa de jogadores de valor como Amaral, Hugo Leal ou Gonçalo Brandão assim o comprova.
7) O fim da secção de basquetebol é uma decisão grotesca. Se há problema grave nas modalidades ele reside no andebol (e digo-o com muita mágoa pois é modalidade da minha afeição e já em pequeno aprendi a admirar Zé Manel, Espadinha, Hernâni e outros craques); se FS estava empenhado em controlar os desmandos financeiros do clube teria que ter começado pelo andebol; o Belém tem miúdos com valor e se calhar o plantel teria que ser constituído quase em exclusivo por eles; apostava-se no futuro, reduziam-se os custos por um período mínimo de três anos, não se correndo sequer o risco de descida de divisão.
8) O pretexto para a demissão é, como dizem os brasileiros, pífio. Como é que alguém que ambiciona liderar o quarto clube português (em historial e ecletismo, pois noutros aspectos e em resultados desportivos recentes o clube não merece esse título) se pode amedrontar ou vexar pelos insultos de meia dúzia de pessoas? Será que FS não conhece o clube e alguma das suas peculiaridades? E quantos outros presidentes já aguentaram tanto ou pior, no Belém como noutros emblemas?
9) Podendo-se discordar da forma, os protestos dos sócios são legítimos perante uma gestão desportiva desastrosa. A direcção semeou o que colheu: incúria, ignorância, impreparação. Pode haver interesses ocultos (ligados provavelmente a vários elementos do Conselho Geral) na promoção destes protestos e eu serei o primeiro a condenar as manobras dessa espécie de sociedade secreta belenense. Da mesma forma que na sexta-feira aplaudi os nossos jogadores, muitos deles fracotes, pois fizeram o que sabem e deram o litro até ao último minuto (conseguindo minorar os estragos) compreendi a indignação de muitos sócios no final do jogo. (Já quanto aos que aplaudiram o segundo golo de William sugeriria que o sr. Fiúza ou o sr. Valentim lhes atribuíssem emblemas de sócios de mérito dos respectivos clubes.)
10) Mais uma vez o clube encontra-se numa encruzilhada: romper com práticas viciadas ou persisitir na paz podre e na instabilidade constante. Romper não significa apostar tudo no futebol e atacar o ecletismo: significa gestão de rigor em todas as fentes (em termos financeiros e desportivos), criação de condições para a prática desportiva, modernização da comunicação e promoção de imagem do clube, políticas de angariação de sócios eficientes e duradouras. Se calhar dois anos não é tempo suficiente para conseguir tudo isso, sabendo-se das guerras que qualquer direcção determinada vai "ganhar". É uma questão também a merecer reflexão por todos os que amam o Belenenses e que acreditam que o clube pode voltar a ser grande.