domingo, 30 de novembro de 2008

Perspectivas negras

Pior do que perder jogos em série é não se verem perspectivas de melhoria; e quando um treinador, ao fim de um mês de trabalho, continua a fazer experiências, mal vamos.
Desde o início que se percebeu que dificilmente o Marítimo não sairia do Restelo com os 3 pontos; não foi só o remate de Djalma - um verdadeiro terror para a nossa defesa - ao poste, aos 40 segundos (!), mas também:
- a opção por Rodrigo Arroz, após dois meses de inactividade;
- a colocação de Vinicius no banco, após alguns bons jogos que faziam prenunciar o regresso à boa forma que agradou aos sócios na pré-época;
- e, claro, a disposição atacante dos maritimistas e a sua notória excelente organização, a par de uma grande confiança no seu valor, em contraste com o que se passa(va) do lado azul.
Por isso, a partida mostrou um Belenenses esforçado e até construindo algumas boas jogadas - com destaque para o inconformado Roncatto, cujo défice de finalização contrasta em absoluto com a sua vontade em fazer balançar as redes adversárias - e um Marítimo confiante de que iria para casa com mais uma vitória, explorando o contra-ataque com classe e ameaçando amiúde a nossa defesa, que não mostrou mais uma vez categoria para um primeiro escalão. E, com a escola Pacheco a começar a mostrar as suas garras, vai alegremente somando cartões a um ritmo de uma equipa de caceteiros. É trágico quando se confunde vontade e determinação com agressividade em excesso; o resultado está à vista: não é por aí que deixamos de sofrer golos (dois em cada uma das últimas partidas - como nas três primeiras jornadas, onde, no entanto, nos deslocámos ao Dragão e a Alvalade) e os cartões ameaçam várias supensões nos próximos tempos.
Em conclusão, resultado exagerado pelas ocasiões de que o Beleneses desfrutou na segunda parte - mas as magistrais exibições de Marcos no Restelo continuam a ser uma constante - mas vitória certa da melhor equipa. Neste momento está à vista que o factor chicotada já se esvaíu e que as lacunas do plantel, a par de erradas decisões tácticas e de escalonamento de jogadores, sobressaem novamente - e cruelmente.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

De bestiais a bestas

São muito tipicamente portuguesas boa parte das reacções que se observam no rescaldo do desafio do Bonfim, um pouco na linha da célebre passagem "de bestiais a bestas". Permitam-me que não vá por aí: nem a equipa era fantástica após a vitória frente à Académica, nem passou a ser a absoluta miséria que se pretende fazer crer após a derrota de Setúbal. Como aqui tenho referido com regularidade - não levem a mal que puxe os galões quando me parece ser caso disso -, o Belenenses em versão 2008/09 dispõe de um plantel desequilibrado, com lacunas várias e espantosamente mal reforçado (mesmo quando a propaganda só via vedetas onde o bom senso observava cepos). Espera-nos por isso uma época difícil, que será muito provavelmente de sofrimento e em que o apoio dos adeptos pode desempenhar papel importantíssimo - conforme ocorreu na recepção à Briosa.
Isto dito, ocorre-me considerar que o flash-interview de Jaime Pacheco diz tudo sobre o jogo: oferecemos 45 minutos ao adversário, o que é de todo inadmissível, e quando quisemos correr atrás do prejuízo - metendo a carne toda no assador como diria o Quinito -, já o prestimoso trio de arbitragem havia visto uma batalha campal que terá motivado a amostragem do amarelo a todo o nosso bloco defensivo, condicionando-lhe claramente a actuação.
Em resumo, parece-me que se a primeira parte é pouco mais do que miserável já na segunda o Belém mostrou que poderia sem grande dificuldade (mas com 90 minutos de luta), ter saído com pontos da cidade do Sado. Pontos que, espera-se - tanto mais que este ano todos eles são imprescindíceis -, poderão ser conquistados em casa já no próximo sábado, numa recepção ao Marítimo que será muito mais complicada do que pode parecer à primeira vista mas em cujo êxito eu acredito piamente - e com Pacheco até acredito a dobrar.
Termino tocando "no ponto", o tal da falta de atitude mencionada (e bem) pelo técnico e que de imediato encontrou forte eco na cada vez mais na moda crucificação de Silas e Zé Pedro - mal comparando, um pouco na linha do que sucedia no ano passado em Barcelona com Samuel Eto'o (com os resultados que aliás se conhecem), passando ao lado das críticas alguns endeusados recentes que, a bem dizer, até já nos devem alguns pontos. Não espanta que seja assim num emblema habituado a dar tiros nos pés; mas já espanta, apesar de tudo, que boa parte dos adeptos pareça não querer entender que há jogadores que, bons ou maus (e no caso até são bons), são de momento símbolos do clube - aqueles que apesar de tudo são capazes de captar a atenção dos nossos adeptos mais pequenos, sem os quais o clube morrerá um desses dias por falta de quórum. Nesse dia, a que esperamos não assistir, podem crer que vamos ter muitas saudades do Silas e do Zé Pedro.
E agora adiante, que no sábado há três pontos para conquistar.

domingo, 23 de novembro de 2008

Da grandeza dos Homens



Quinta-feira à noite, na 13ª Gala da Confederação do Desporto de Portugal realizada no Casino Estoril, Regina Cabral Ferreira recebeu o Prémio "Personalidade do Ano", entregue a título póstumo ao falecido presidente Cabral Ferreira por justíssima indicação da Federação Portuguesa de Futebol.
De certo modo, diria que o Luciano Rodrigues já deixou nestas linhas o essencial de quanto deve ser dito: o tempo, mais cedo do que muitos pensavam, se encarregará de fazer justiça a um grande presidente do Belenenses. Mas eu assinalo ainda o seguinte: enquanto presidente do Belenenses, Cabral Ferreira foi atacado inúmeras vezes - algumas delas sem dó nem piedade -, e não obstante, apesar de tudo isso, não fugiu. Ao invés, como manda a noção de responsabilidade e assim enobrecendo o sentido de Ser Belenenses, Cabral Ferreira ficou no seu posto - literalmente - até ao fim. Já os que se lhe seguiram, atingindo-o indecentemente mesmo quando ele já não estava cá para se defender (e ainda o faziam há bem pouco tempo, no final do Verão), não poderão jamais dizer o mesmo: à primeira oportunidade e sem que se entenda qualquer razão válida, optaram pelo "ala que se faz tarde". Não estranha por isso que a primeira Homenagem significativa a Cabral Ferreira não tenha partido de dentro do Belém. Os homens não tinham nível para tanto. Foi pena.

sábado, 22 de novembro de 2008

Má tarde no Choradinho

Em dois fins de semana seguidos em que teve direito a transmissão em directo na SIC, a equipa de futsal do Belenenses não impressionou os adeptos da modalidade que seguiram os jogos contra SL Olivais e Freixieiro. Se há uma semana, pela proximidade, foram cerca de duzentos os que foram apoiar a equipa, já hoje os apaniguados azuis não excederam a dezena.
Contra o Olivais a equipa não esteve ao nível habitual mas ainda assim criou oportunidades suficientes para uma vitória tranquila - que não chegou a sê-lo. Mas hoje, em Perafita, os azuis foram presa fácil para um Freixieiro em crescendo, que foi o que o Belém não foi: uma equipa, em que todos desempenharam com concentração o seu papel, e que teve em Cardinal o jogador que fez a diferença nos períodos de aparente equilíbrio.
Custa escrevê-lo mas é impossível fazer uma referência positiva na nossa equipa, tal foi a forma atabalhoada, desispirada e desconcentrada com que actuou; e com 66% de posse de bola! Se referirmos que o Freixo ainda atirou 4 bolas ao ferro fica-se com uma ideia da catástrofe que podia ter sido este jogo. Foram errros em demasia, displicências inaceitáveis numa equipa que se assume como candidata ao título. Vamos crer que tudo não passou de um mau dia, tal como há um ano quando perdemos 6-1 em Vizela; e que este jogo desastroso sirva de motivo de reflexão para todos.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Apontamentos breves de (mais) uma segunda à noite

I
Aí estão os três pontos! De uma assentada, o Belenenses descola de Trofense e Paços, colando-se ao patamar imediatamente seguinte, onde apanha Rio Ave e Vitória de Setúbal. Há dias assim, que dão ampla razão à antevisão da partida feita por Jaime Pacheco: o importante era ganhar ou, em alternativa, vencer - independentemente de praticar ou não bom futebol, feito que na noite de segunda-feira era matéria (quase) irrelevante. Na situação em que Mior e Sequeira colocaram o nosso futebol, os olés podem bem ficar para depois. Por agora, o importante são os pontos e alguma tranquilidade capaz de libertar o talento existente. Prova superada.

II.
Desde que o novo técnico demandou o Restelo - e se considerarmos que os jogos da Taça de Portugal têm também um tempo regulamentar de 90 minutos -, Jaime Pacheco e o Prof. António Natal não conhecem ainda o sabor amargo da derrota. E não bastando, a equipa começou a marcar golos. Pegando no título celebrizado por Acácio Rosa, isto são factos, nomes e números. O resto é conversa fiada.

III
Pedro Henriques, elevado pela imprensa desportiva dos estarolas à categoria de extraordinário árbitro da Pátria, roubou (mais uma vez!) o Belenenses com a prestimosa ajuda de dois auxiliares miseráveis - qual deles o pior...
Da próxima vez que jornalistas e paineleiros televisivos perderem horas a discutir as razões da ausência da criatura dos grandes palcos internacionais, não precisam de se dar ao trabalho. Basta perguntarem no Restelo.
A este respeito, existe leitura complementar recomendada.

IV



Terminemos, por hoje, com o extraordinário fenómeno das assistências no Restelo: cheguei de Belém com a alma cheia, muito por culpa do público presente na "outra bancada". Falamos de uma segunda-feira ao início da noite, com trânsito tramado no centro da cidade e jogo transmitido pela televisão - os factos habitualmente apontados para o pouco público que por norma se desloca ao Restelo. Sucede que apesar de tudo isso, o estádio estava (muito) bem composto e o apoio à equipa foi evidentemente mais eficaz - aqueles "Belém - Belém" de bancada a bancada são, não o duvidem, bem sentidos dentro de campo. Pelo que devemos considerar que andou (mais uma vez) bem a Comissão de Gestão ao levar a cabo política de portas abertas; como andou igualmente bem na promoção do desafio, fosse na imprensa gratuita, fosse no Bingo (actividade que me pareceu ter sido um sucesso). A verdade é que o público correspondeu, até com crianças, apesar da segunda-feira à noite e da transmissão televisiva. Sobra o quê para justificar a (diferença de) adesão? O (habitual) preço dos bilhetes? Fica a pergunta, num assunto a merecer desenvolvimento em próximas reflexões - e, sobretudo, a merecer análise detalhadíssima por parte dos responsáveis do clube.
Para já, fica uma pergunta: o que é feito in loco naquela bancada para garantir que aqueles belenenses regressem ao Restelo daqui por quinze dias? E que o façam, de preferência, como associados?

domingo, 9 de novembro de 2008

Fora da Taça mas com boas indicações

Entre as muitas frases feitas que se utilizam na análise de um jogo de futebol, existe aquela, já célebre, que menciona a possibilidade de um treinador "perder um jogo mas ganhar uma equipa". De algum modo, qualquer coisa parecida poderá ter ocorrido hoje na Figueira da Foz ditando a saída do Belenenses da Taça de Portugal. Não quero com isto dizer que Jaime Pacheco tenha encontrado hoje a solução miraculosa para os muitos problemas que afectam o nosso futebol profissional mas, bem vistas as coisas e se dúvidas ainda existissem, a segunda parte do desafio de hoje mostrou à exaustão uma entrega, uma garra, uma vontade e uma capacidade de sofrimento absolutamente notáveis - o que, como é sabido, é meio caminho andado para a obtenção de resultados positivos. Por outro lado, se considerarmos apenas os 90 minutos regulamentares, Pacheco continua sem perder ao cabo de 6 jogos e, de momento, a equipa já começou a marcar golos. Não é muito, é certo, mas todos estamos certamente recordados daquela coisa que ainda há um mês se arrastava em campo na era pré-Pacheco e a que alguns chamavam equipa. Mas adiante: a nova equipa técnica chegou e o onze, ainda que sem grandes soluções alternativas, começou a carburar minimamente. Menos mal, até porque como é sabido nestas coisas não há milagres - e o plantel construído por dois ou três irresponsáveis (para ser meigo na adjectivação) que entretanto deram à sola é o que é (e pelo menos até Janeiro será este).
Quanto ao desafio, diga-se que a Naval teve claramente a sorte do jogo: não é frequente uma equipa marcar três golos, dividindo-os entre o último minuto da 1ª parte, o primeiro minuto da segunda e os momentos derradeiros de um prolongamento. Mas para sermos sérios convirá referir que, se não é frequente marcá-los, também não será frequente que a outra equipa consinta três golos nesses mesmos momentos. São falhas de concentração impensáveis em alta competição, aspecto que Pacheco terá que trabalhar daqui em diante. De resto e apesar do Belenenses se ver mais uma vez forçado a correr atrás do prejuízo, creio que se retiraram hoje muito boas indicações para o futuro. A equipa técnica não tem medo de mexer a tempo e horas e a entrega, como já foi dito, justifica amplamente os vencimentos. A dado passo do prolongamento terá ficado a ideia de que a aposta era nas grandes penalidades e na categoria de Júlio César perante as ditas. Estratégia legítima, evidentemente, mas que comportou riscos que penso terem sido desnecessários sabendo-se ainda para mais que a Naval tinha jogado há poucos dias.
Na próxima segunda-feira, frente à Académica (também ela hoje eliminada), julgo ser pacífico dizer que se trata de um jogo em que apenas um resultado é possível rumo a uma época tranquila: a vitória. E é por ela que o Belenenses terá que lutar, deixando tudo em campo. Naturalmente e apesar de estarmos a falar de mais uma segunda-feira à noite, os sócios e adeptos também não estão dispensados de fazer o mesmo - o que equivale a dizer: comparecer, apoiar durante 90 minutos e a plenos pulmões. Que assim seja e verão que os três pontos não escapam.
Uma nota final: gostei de ver, ao lado da incansável Fúria Azul, a faixa da Alma Salgueirista. Já não é a primeira vez, bem sei, mas nunca será excessivo registá-lo, pelo que siga daqui um abraço amigo e votos de rápidos sucessos para a rapaziada do velho Salgueiral.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Para esquecer

Mau jogo de andebol esta noite no Acácio Rosa, com o ABC a ser a menos má das duas equipas em campo.
Primeira parte desastrosa do Belenenses, jogando sem imaginação, errando passes, rematando à toa e displicentemente. Incrivelmente, João Florêncio não mexeu nos seis jogadores de campo (os dois Tiagos e os dois Pedros, Pina e José Rocha), apesar da má prestação de todos! A 7 minutos do intervalo o Belenenses tinha facturado 9 golos e sofrido 11. O intervalo chega com 13-15.
Aos 5 minutos da 2ª parte a primeira mexida na equipa azul. O jogo continuou mal jogado e aos 10 minutos da 2ª parte o ABC era quase virtual vencedor da partida, com 15-23. É então que Elledy Semedo começa a facturar, mostrando a vontade e a determinação que faltou aos colegas. Aos 45 minutos ainda perdíamos por 19-25 e o ABC parecia senhor da partida. Num último esforço os azuis conseguem reduzir por várias ocasiões para três golos de desvantagem; infelizmente, uma série de más decisões da dupla de arbitragem acaba por prejudicar o Belenenses. O jogo acaba com 28-31, um resultado algo lisonjeiro para a péssima prestação dos da casa. Na nossa equipa destaque positivo apenas para Elledy Semedo, que mostrou que se justificava a sua entrada bem mais cedo; Florêncio insisitiu no seis-base demasiado tempo e na fase decisiva da partida mais de metade da equipa estava sem pernas.
No ABC saliência para os dois excelentes pontas, Dario Andrade e Eduardo Gaifém.
A arbitragem esteve bem na primeira parte mas na segunda borrou a pintura com más decisões em catadupa.

domingo, 2 de novembro de 2008

Quem é que disse que a máfia estava na Sicília?

Quatro dias depois de se observar no estádio do Gil Vicente uma faixa inacreditável que tem merecido absoluto encolher de ombros da Liga e dos seus responsáveis (por certo gente honestíssima, a avaliar pelo estado de prontidão com que actuaram no Caso Meyong), o Belenenses foi hoje à Reboleira defrontar uma equipa que se inscreveu nessa mesma Liga (vá lá saber-se como e com que papelada...), para tomar contacto com uma nova promessa da arbitragem portuguesa: Marco Ferreira, apitador da Pérola do Atlântico - assim se chamava a encomenda, posto que só podia mesmo vir encomendada...
Como é amplamente reconhecido por TODA a imprensa presente na Amadora, o homem (e os bandeirinhas, fruto da mesma colheita), roubou a bom roubar e se mais não roubou foi apenas por já não saber como o fazer: a expulsão de Wender por falta (?) cometida por China nas barbas do fiscal de linha e com o chefe do gangue bem colocado, é apenas a prova provada de que não é de todo possível acreditar na inocência destas quadrilhas.
Quanto ao futebol em si - que qualquer pessoa minimamente bem formada não tem deste modo gosto algum em comentar -, o Belenenses soma mais um ponto e continua sem perder no consulado de Jaime Pacheco. Na próxima jornada, recebendo a Académica, temos uma excelente ocasião de somar a primeira vitória no campeonato invertendo assim de modo decisivo o rumo que marcou o início da época. Assim não nos apareça pela frente, claro está, o Marco Ferreira ou outro bandido que se lhe equivalha.

No entretanto, João Barbosa reagiu ao roubo desta tarde e fê-lo de forma clara, o que se aplaude. Já o dr. Hermínio - também ele Loureiro - tem muito que explicar: é a velha história da mulher de César...

sábado, 1 de novembro de 2008

Vitória para mais tarde recordar

Em mais uma mostra de garra e crença até ao último segundo de jogo, a equipa de futsal do Belenenses alcançou uma tão justa quão sofrida vitória frente ao Sporting. Não vou falar em detalhe do jogo, até porque o Futsal Portugal o faz de forma excelente nesta crónica. Quero antes realçar a forma notável como os azuis conseguiram colmatar as ausências de Caio Japa (castigado) e Fábio Aguiar (que curiosamente assistiu ao jogo ao lado do ex-colega de equipa) e a inevitável tensão resultante das incertezas directivas e financeiras do clube.
Inevitável falar da dupla de arbitragem de má memória (Luz, época passada, 4-5; Freixieiro, no famoso jogo do penalti que deixou de o ser): estou em crer que, não fosse a extraordinária pressão exercida pelos indignados adeptos azuis, revoltados por uma sucessão de más decisões na segunda parte (mão de Deo na área, jogada de golo certo interrompida, critério disciplinar discutível), não teriam marcado o claro penalti que deu o empate e a falta que levou Miguel Almeida para os 10 metros. Não é só para impulsionar a equipa azul que o Acácio Rosa é um inferno sem paralelo!
Os jogadores belenenses mostraram nesta partida que, mesmo com uma equipa menos experiente e que por vezes parece algo desnorteada em campo (muitos passes errados), a vontade indomável e a classe que sabem que têm conseguem vencer as maiores adversidades.
Por fim, um abraço para o Lacerda e o Ulisses, com quem tive o prazer de sofrer em conjunto nesta tarde.
Viva o Belenenses!

domingo, 26 de outubro de 2008

Outra equipa

Chegado do Restelo, gostei do que vi. Na verdade, descontada a significativa dose de infelicidade que nos acompanhou ao longo dos 90 minutos, observámos uma equipa como que transfigurada em relação à "era Mior", a mostrar que em cerca de 15 dias de trabalho, se não é possível fazer milagres, é pelo menos possível alterar os quadros psicológicos, injectar confiança e determinação q.b., reconquistar empatia entre adeptos e grupo de trabalho e instituir alguma organização colectiva. Ora, quero acreditar que é com base nestes (aparentemente) pequenos aspectos que poderemos começar a encarar o resto da época com alguma confiança sem, naturalmente, deixar de ter os pés na terra - porque este plantel tem lacunas graves e Jaime Pacheco terá muito trabalho pela frente.
De qualquer modo e como deixei expresso no lançamento da partida, não creio que este ponto seja negativo. Obviamente que, visto o jogo, ficou claro que teria sido possível algo mais mas, de igual modo e após o 0-1, também se tornou evidente que o mais importante - atendendo aos factores anímicos e à tremideira classificativa - era mesmo não perder.
Olhando a parte técnica, a qualidade de Jaime Pacheco não me surpreendeu como imaginarão aqueles que se dão à maçada de ler regularmente este espaço: não distribuímos fruta durante 90 minutos (Pacheco tem muito mais fama do que proveito), as substituições foram feitas com lógica e a tempo e horas - esqueçam aqueles números de mexer na equipa a 10 minutos do fim - mostrando capacidade de, como diria mister Jesus, "ler o jogo", e não menos relevante, o novo técnico mostrou ser capaz de surpreender e adaptar o modelo às disponibilidades, ao optar de início por algo próximo de um 4-2-3-1 com Sérgio Organista numa posição próxima de Gomez.
Recapitulando, no conjunto gostei do que me foi dado ver e volto do Restelo mais animado quanto àquilo que podemos fazer nos tempos mais próximos. E como um bem nunca vem só, saúda-se a (re)disponibilização de dois bares de apoio à nossa bancada, facto aparentemente simples mas que facilita muito a vida a quem quer comer ou beber qualquer coisa antes ou no intervalo do jogo. Ainda para mais, no "renovado" Bar do Rugby, foi ontem possível parabenizar os nossos craques da bola oval pela espectacular vitória obtida, em condições tremendas, na Tapada da Ajuda.
Nota negativa, apenas, a do pouco público presente - embora o que picou o ponto se tenha mostrado sempre fiel no apoio à equipa (e parabéns aos adeptos do Guimarães que mais uma vez mostraram no Restelo estar, em qualidade, a anos-luz de avanço de tantos outros). Mas dizia eu: andou bem a Comissão de Gestão com uma série de iniciativas que mereciam outra resposta por parte da nossa gente. Esteve mais público no Restelo, é certo, mas mesmo assim muito aquém daquilo que se justificava num sábado à tarde, a horas decentes, com tempo convidativo. Como que a fazer lembrar o que já todos sabemos: embora sejam evidentemente de manter estas medidas conjunturais, o defeito é estrutural e é nesse quadro que deve ser atacado. De qualquer modo, também aqui, é importante encerrar a prosa com ventos de alguma esperança: para início, não está mal.

sábado, 25 de outubro de 2008

Vitória heróica!

O quinze do Belenenses venceu esta tarde a equipa de Agronomia na Tapada da Ajuda por 24-25, mantendo assim o comando da classificação à passagem da 4ª jornada. Importante referir que o jogo terminou com o Belenenses a actuar com 12 jogadores - três expulsões!!! - desde metade da segunda parte, segundo período que entretanto os azuis já haviam começado reduzidos a 13 unidades.
Uma vitória heróica - da qualidade, da garra e do querer! Mais informações em breve no sítio do costume.

Um sábado muito importante

O Belenenses tem hoje um sábado de grande importância, com sócios e adeptos a perspectivarem a inversão de marcha e o arranque para um novo ciclo positivo. Para já, Jaime Pacheco conta por vitórias os três jogos disputados que, embora aparentemente simples, permitem capitalizar uma boa dose de confiança - elemento muito importante que aliás era um bem muito escasso ao tempo da anterior equipa técnica.
Ora, a ver apenas duas equipas pelo "espelho retrovisor" na classificação, é imperioso que o Belenenses pontue frente ao Vitória de Guimarães. É desejável que ganhe, evidentemente, mas como de todo não há milagres importa sobretudo não perder. Ciclos cada vez maiores a pontuar acabarão por possibilitar ao Belém uma época tranquila que, tenho-o para mim embora deseje estar enganado, é o máximo a que podemos de momento aspirar. Apesar disso e como a história e os "borregos" também contam para estas matemáticas, já há quem não se lembre de ver o Vitória ganhar no Restelo, mesmo em épocas em que apresentou equipas manifestamente superiores. Não há portanto razão alguma para que se esqueça o notável poder da Tradição.


Entretanto, uma acertada iniciativa propõe uma recepção de nível aos nossos atletas por ocasião da sua chegada ao Restelo. Justifica-se inteiramente a acção mobilizadora, pelo que daqui se reforça o apelo a uma adesão em grande número. É esta a melhor forma de dizermos todos: "Força rapazes, anda Pacheco, 'bora Belém!" - pelo que já sabem (e se não sabem ficam a saber): 16h40 junto ao portão de estacionamento e acesso dos jogadores aos balneários.

(note-se em todo o caso que a presença no cordão humano não dispensa os participantes de um apoio constante e ruidoso a partir das 18h30...)

Noutro plano, também este sábado mas desta vez pelas 15h00, o quinze do Belenenses visita a equipa de Agronomia em jogo agendado para o relvado da Tapada e que ditará a separação dos dois emblemas do grupo que de momento lidera a classificação. E isto dito, justifica-se uma presença em bom número de adeptos azuis - rumo à desejada revalidação do título nacional. Força Campeões!

domingo, 19 de outubro de 2008

Com o pássaro na mão

Ainda não foi esta manhã que o Belenenses se estreou a vencer na Liga de Basquetebol. Num encontro muito equilibrado, os azuis chegaram a estar a vencer por 7 pontos (72-65) com menos de três minutos para jogar mas um parcial de 3-13 a favor do Queluz trouxe-nos a 4ª derrota na competição.
Mais uma vez a falta de banco condenou os azuis que, quando podem contar com Ailton, Justin, David e Sami simultaneamente em campo batem-se quase de igual para igual mesmo com adversários mais cotados. Os problemas surgem quando o experiente Paulo Simão faz passes despropositados ou falha triplos sobre triplos ou quando Justin Taylor ou David Paris têm que descansar.
Com ambas as equipas a falhar muitos lançamentos, foi na maior eficácia nos triplos que o Queluz fez a diferença. Justin foi incansável, Ailton inexcedível debaixo das tabelas e David Paris muito certinho nos lançamentos perto do cesto.
Acaba por ser cruel uma equipa tão esforçada perder jogos atrás de jogos; mesmo com um maior entrosamento que o tempo trará a falta de banco vai tornar a luta pela manutenção muito complicada. Suor não falta, empenho idem, falta o golpe de asa de que falava o poeta. Vamos acreditar e apoiar, que eles bem merecem.
Nota final: que os sócios não paguem a um domingo de manhã, num jogo televisionado, aceita-se; mas porque é que os não sócios também entraram à borla? E que apoio deram à sua equipa, os que viajaram de Queluz.

sábado, 18 de outubro de 2008

Grande jornada europeia

Pavilhão Acácio Rosa com uma boa assistência (cerca de mil espectadores) para o regresso do Belenenses às competições europeias em andebol (recorde-se aqui as anteriores participações). Perante os montenegrinos do HC Berane, havia que recuperar 4 golos de desvantagem da primeira mão.
Primeiros minutos equilibrados, golo cá, golo lá e 5-6 aos 10 minutos. Os azuis estavam nervosos, falhavam passes e precipitavam-se no ataque. Já os eslavos jogavam com agressividade mas sem especial talento. Lentamente o Belém foi arrumando as peças (o sete inicial era composto pelos jogadores mais experientes), trocando melhor a bola e defendendo com mais acerto. Aos 18 minutos já estávamos em vantagem por 10-8, chegando à vantagem na eliminatória com 14-9. Infelizmente os últimos cinco minutos da primeira metade foram desastrosos e o Berane reduziu para 14-13. Erros a mais num jogo desta natureza. Chegou a jogar-se contra apenas 4 jogadores de campo e nem assim se conseguiu dilatar a vantagem. Destaque para um golo de Hugo Figueira, com um remate de baliza a baliza perfeito.
A segunda parte foi completamente diferente: o Belém comandou quase como quis, foi facturando (com destaque para Pedro Matias e Tiago Fonseca; Spínola e Pina estiveram desastrados) e a 13 minutos do final a vantagem era de seis golos: 24-18. O adversário não conseguiu reagir e praticamente resignou-se à evidência da superioridade azul. Realce-se os 3 golos de António Areia (que falhou outros tantos mas nunca teve receio de atirar à baliza) e a entrada do jovem guarda-redes André Vilhena nos últimos 2 minutos.
Esta partida foi bem típica desta equipa: instável, com momentos maus e outros brilhantes e sobretudo com uma vontade inquebrantável de vencer contra todas as adversidades. Uma atitude irrepreensível.
Uma nota ainda para a dupla de arbitragem: de grande rigor na análise dos lances, severa a nível disciplinar e com uma uniformidade de critérios impressionante; e para a presença do seleccionador Mats Olsson (mesmo atrás de mim), que no final aplaudiu de pé a nossa equipa.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Andebol e basquetebol no Acácio Rosa




























domingo, 12 de outubro de 2008

Belenenses, 61 - CAB Madeira, 93

Esta tarde a equipa de basquetebol do Belenenses sofreu uma derrota pesada frente ao CAB Madeira. Tal como ontem, a nossa jovem equipa bateu-se muito bem no 1º período, que chegou ao fim com 19-19 no marcador. E, também tal como ontem, quando Artur Cruz começou a fazer substituições, o adversário adianta-se no marcador. Pese o esforço de João Vicente e Rui Biscaia, trata-se de jogadores (ainda) sem andamento para uma Liga; João defende com agressividade mas falha muitos lançamentos, ao passo que Biscaia é determinado a iniciar jogadas de ataque mas nem sempre executa passes com acerto ou toma a melhor opção de passe.
Ainda em reprise de ontem, David Paris cedo chegou a 3 faltas, o que condicionou a estratégia azul. Hoje o norte-americano (14 pontos) até esteve melhor, conseguindo bons cestos debaixo da tabela, alguns deles em excelentes combinações com Ailton Medeiros (13 pontos), que voltou a estar muito bem, só entrando em algum desacerto no último período.
O intervalo chegou já com algum desnível no marcador: 34-43.
A segunda metade trouxe um Belenenses sem soluções face a um adversário que jogou sempre muito concentrado e que revelou grande eficácia nos lançamentos de 3, o que provocou um rápido avolumar da desvantagem azul. Com o jogo perdido, Artur Cruz dá a oportunidade aos jovens Francisco Barbosa e Tiago Carvalho para jogarem, tendo ambos tentado a sua sorte em lançamentos - mas sem sucesso.
Individualmente, além dos já citados, nota para uma exibição menos conseguida de Justin Taylor e para uma boa prestação de Anastacio Sami.
Tornamos a lembrar que esta equipa, além de jovem, foi constituída à pressa e carece de rodagem para uma I Liga. Com o tempo podemos vir a esperar melhores resultados. O campeonato é longo e equipas com outras condições já sofreram este ano derrotas estrondosas (hoje, o detentor daTaça de Portugal, Vitória de Guimarães, perdeu em casa com o Barreirense por 57-88 e o Ginásio Figueirense foi derrotado naLuz por 105-56!).
Coragem, rapazes!

Rugby mantém o hábito de ganhar

Segunda jornada da Divisão de Honra, segunda vitória. Depois de há uma semana ter cilindrado o quinze benfiquista por 50-0, já esta tarde - no Restelo -, o Belenenses derrotou o CDUP por 48-12, assegurando assim frente à equipa que viajou da Cidade Invicta os pontos necessários para continuar na liderança da classificação.
Informação complementar no sítio do costume.

sábado, 11 de outubro de 2008

Belenenses, 64 - Benfica, 80

250 espectadores presenciaram a estreia caseira do Belenenses na Liga de Basquetebol 2008/2009. Poucos estariam à espera de um primeiro período de domínio dos da casa e completo desnorte dos benfiquistas: com o novo base Justin Taylor completamente endiabrado e Anastacio Sami certeiro nos 3 pontos o Belém chega aos 10 minutos a vencer 22-12.
O segundo período mostrou que o jogo iria mudar, por três motivos: maior acerto nos lançamentos encarnados, ausência de soluções no banco belenense e uma arbitragem que beneficiou os visitantes de forma descarada (onde não podia deixar de pontificar Sérgio Silva, um artista já bem conhecido dos espectadores do Acácio Rosa) - a dualidade de critérios na marcação das faltas foi escandalosa. Ainda assim os azuis ainda chegaram em vantagem ao intervalo: 34-32.
A segunda metade foi um prolongamento destes três factores, acompanhado por um crescente cansaço dos nossos jogadores. As falhas nos lançamentos e a perda de muitos ressaltos ajudaram ao ampliar do marcador, que os azuis não mais conseguiram evitar.
Ainda assim, exibição muito positiva para uma equipa que foi construída à pressa. Ficaram boas indicações para o futuro. Justin Taylor foi o melhor belenense, com uma exibição coroada com um magnífico cesto de costas para o cesto, além de uma movimentação constante- um jogador com sangue na guelra.
Esperava-se mais de David Paris mas ainda assim contribuiu com 11 pontos, menos 2 que Ailton Medeiros, que teve exibição muito meritória. Anastacio Sami esteve fantástico no primeiro período, tendo decaído muito após a 3ª falta.
Amanhã, em jogo que não vai ser fácil, espera-se que os briosos atletas da Cruz de Cristo alcancem a primeira vitória na prova, frente ao CAB Madeira (18 horas).

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Anda, Pacheco!



Apesar dos esforços em sentido contrário de muito jornalista-empresário, Jaime Pacheco foi hoje apresentado no Restelo como treinador do Belenenses, com contrato válido até ao final desta temporada. Com Pacheco viajam para o Restelo os seus habituais colaboradores: o adjunto Vitor Nóvoa e o preparador físico António Natal.
Jaime Pacheco arrancou nas suas novas funções com um discurso agradável, próprio de um profissional experiente e muito trabalhador, um Homem sério e humilde a quem as adversidades não metem medo. Esperemos que tenha o engenho e a arte suficientes para que possa permanecer por muito tempo no Restelo, posto que está à vista a possibilidade de se tratar de um casamento altamente vantajoso para as duas partes. Como sempre aqui afirmei, trata-se de uma excelente solução.
Força Jaime, 'bora Belém!





Declarações de Jaime Pacheco (e que vale a pena ler):
-> «Belenenses é o clube ideal para mim!»
-> «Tenho a convicção de que vou ganhar»

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

As primeiras escolhas de "A Bola"

Rogério Gonçalves é primeira escolha:
A comissão de gestão do Belenenses não perdeu tempo e já começou a procurar sucessor para Casemiro Mior, mesmo antes de a rescisão estar oficializada. No topo das preferências está Rogério Gonçalves, ex-treinador do Beira-Mar.
Jorge Costa pretendido no Restelo:
O antigo internacional português Jorge Costa, actualmente a treinar o Olhanense, é o treinador cujo nome está no topo da lista do Belenenses para suceder a Casemiro Mior.
É caso para dizer que se o Vítor Serpa não mete rapidamente ordem na casa lá se vai o "título de referência". Quanto a mim, sou de ideias fixas: anda, Pacheco!