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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O Estado da Nação

I
Ausente que estive, lá por fora e a lutar pela vida, só agora consigo alinhavar duas ou três ideias sobre o actual momento do Belenenses. A primeira é simples e nem preciso de recorrer à minha pena; basta copiar para aqui a incredulidade do Luciano Rodrigues, que subscrevo por inteiro:
O que leva alguém a candidatar-se a Presidente de um dos maiores clubes de futebol nacionais, pedir um empréstimo avultado sem nada explicar aos sócios, dando apenas a sua garantia de que sabia o que estava a fazer, construír um plantel repleto de interrogações e depois saír de repente, deixando o clube sem ninguém ao leme, com responsabilidades enormes perante a banca e com sérias dificuldades desportivas?
II
Isto dito e perguntado (ou por outra, subscrito), acrescente-se que por razões várias a demissão de Fernando Sequeira em nada me surpreende. O que me surpreende ainda é a irresponsabilidade e a ligeireza com que é possível encarar o Belenenses, seja da parte de quem assume o (pesado) encargo para fugir na primeira oportunidade, seja da parte de quem empurra os primeiros para que assumam tarefas que nós, adeptos autênticos, reputamos como nobres e merecedoras de incontido orgulho. Não absolvendo os empurrados, talvez que estes que empurram - sabe-se lá com que motivos, embora se suspeite - tenham uma maior responsabilidade do que aqueles que são empurrados, embora estes vejam também oportunidades de ouro sabe-se lá para quê. Mas um dia ainda se vai saber, olá se vai.

III
Resta dizer que as razões alegadas para a demissão de Fernando Sequeira - os tais insultos e ameaças - tocam a comédia. Não apenas porque pretende que todos sejamos burros e nada saibamos de sociologia das massas (e do futebol), mas sobretudo porque a desculpa vem da parte de alguém que já em Abril se queixava disso em termos muito graves, sem que, ao que se saiba, tenha apresentado qualquer queixa junto das autoridades competentes. Ou seja: muito se agradecia que Fernando Sequeira tivesse a hombridade de esclarecer com honestidade as razões da sua fuga a quantos nele confiaram recentemente - a ponto de lhe passarem um perigoso cheque em branco. E de preferência que o faça já no próximo dia 26 de Setembro, em Assembleia Geral.

IV
Por fim, lamenta-se que o Conselho Geral já tenha tomado em mãos a condução do processo - de um processo que em primeira análise competiria apenas ao presidente da Mesa da AG e aos associados. Por certo que enquanto permitirmos (são os sócios, todos nós, que o permitimos) que vinte ou trinta pretendentes a detentores da verdade clubista possam decidir mais ou menos às escondidas os que ficam e não ficam, os que avançam e os que sossegam, os que falam e os que não servem, não revolucionamos nada e chegamos a lado nenhum. Mas o facto é que perante a tranquilidade dos associados a coisa repete-se, repete-se... e repete-se... e já cansa.

V.
No entretanto, somos cada vez menos a pagar quotas e a dizer "presente!" no Restelo - sem que a proximidade do precipício assuste o douto Conselho. Para ele, as eleições e a apresentação de projectos sustentados para mandatos inteiros (sobretudo se não os controlam) podem esperar, como se o tempo não fosse um problema. Sucede que o Belém não pode esperar muito mais para inverter atempadamente a marcha. Que ao menos disso haja consciência.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Notas soltas sobre a Assembleia Geral

Cerca de 24 horas depois da Assembleia Geral que ontem levou ao Restelo mais de 300 associados - bom número de sócios e, estranhamente, muita polícia montada em viaturas de todo o tipo...! -, é hora de aqui deixar meia dúzia de impressões pessoais sobre a magna reunião - e que por serem pessoais naturalmente me vinculam apenas a mim.
Começo, a par de salientar a excelente condução da sessão por parte do Prof. José Manuel Anes, por dizer que me abstive na votação final - o que é curioso na medida em que entrei no Pavilhão Acácio Rosa com a intenção de votar favoravelmente o pedido de empréstimo assim me fossem explicadas algumas coisas simples. Mas, salvo melhor opinião e tirando o clima criado pela intervenção inicial do presidente Fernando Sequeira, não foi apresentado rigorosamente nada de concreto (salvo a assinatura de um protocolo que saúdo, mas já lá vamos), nenhum plano de acção.
Na verdade, a coisa foi posta nestes exactos termos: "sem a aprovação desta proposta, o clube pára", numa espécie de revivalismo daquela velha máxima do "eu ou o caos". E isto porque embora não haja contas, nem resultados de auditoria, nem orçamentos, se optou por uma (quanto a mim inacreditável) mistura entre os dados da SAD e os do Clube, debitando uns números (ou convicções, para ser mais preciso) que ajudam a criar o clima de estado de necessidade de recurso à banca mas que não permitem com exactidão perceber o que é que está a falhar e em que sítio. Aliás, eu pessoalmente aguardo com especial interesse a apresentação das contas da SAD, o que certamente ajudará a entender onde estão os reais problemas financeiros do Belenenses.
Diga-se em abono da verdade que a maior parte das críticas ao Engº Fernando Sequeira, a partirem de um dos mini-grupos que aliás com convicção de obrigatoriedade se opunham à gestão de Cabral Ferreira, foram muito fraquinhas - permitindo claramente ao Engº Sequeira, aí sim, obter algum brilho nas respostas. E assim se explica, em linhas gerais, que a proposta apresentada - e que o Conselho Fiscal desconhecia nos seus contornos - tenha sido aprovada por cerca de 85% de associados. Quanto a mim, não tenho, como já disse, grande receio dos "danos" da sua aprovação: a ideia do empréstimo em si e a apresentação de garantias reais parecem-me actos de gestão normais e aceitáveis, mesmo que os seus efeitos ultrapassem o mandato dos actuais corpos sociais. A este respeito, acho relevante referir que o consócio João Almeida desafiou o presidente a anunciar aos sócios dispostos a apoiá-lo que, por esse efeito, se dispusesse a garantir que daqui por um ano se recandidataria às funções agora exercidas. Que eu ouvisse, não obteve resposta favorável.
Ainda no campo dos consócios que mais directamente participaram, duas últimas notas: quem esteve no Acácio Rosa assistiu a uma grande intervenção da dra. Regina Cabral Ferreira. Por uma vez, ontem à noite, aplaudi de pé. É que, com efeito, é bom que se tenha a noção de que existem valores como o direito à honorabilidade e ao bom-nome que, num emblema como o Belenenses, devem ser respeitados. Como aliás mais tarde lembrou o dr. Miguel Ferreira, ex-administrador da SAD publicamente louvado pelo Engº Sequeira, se existem suspeitas de "gestão danosa", qualquer belenense que se tenha na conta de uma pessoa séria só tem um caminho a seguir: apresentar de imediato queixa no Ministério Público para que as responsabilidades sejam apuradas até às últimas consequências, doa a quem doer. O que é intolerável é o caminho do constante boato, das insinuações e das meias verdades, o caminho do que a audiência deseja ouvir, para que depois se recue quando directamente confrontado com as mesmas. Parece-me inaceitável lançar a confusão para depois se lhe seguir uma conversa do tipo "ah... e tal... são só actos de gestão de que eu discordo".
Adiante. Três notas finais: pareceu-me claro, e oxalá me engane, que Jorge Jesus não continuará no Belenenses. Não sei se o Engº Sequeira se apercebeu disso (ou até se fez de propósito), mas o próprio tempo verbal que utilizou - "foi", "era"... - quererá dizer alguma coisa; em segundo lugar, e aqui de há muitos anos que concordo em absoluto com o que foi enunciado pelo presidente, poderá finalmente haver algum bom-senso em relação às modalidades-amadoras-mas-que-afinal-são-profissionais. Ao que foi dito, estão a ser elaborados orçamentos por modalidade, todos eles partindo da base zero, com os dirigentes a dar o tudo por tudo para tentar conseguir patrocínios capazes de cobrir as despesas. Foi dito que se essas verbas não aparecerem compremetendo a sustentabilidade dessas modalidades, não haverá hesitações em cortar o mal pela raíz. Parece-me medida avisada. Por fim e respondendo a uma questão do consócio José António Nóbrega, que já havia denunciado a situação no Belém Livre, o presidente garantiu que um protocolo com os Pescadores da Costa da Caparica será assinado no próximo domingo, no mesmo dia em que a equipa de futebol do Belenenses ali se deslocará para um amigável. Boas notícias, portanto - eventualmente sinal comprovativo de que a Direcção lê blogues, tanto mais que os ditos foram mencionados na primeira intervenção do presidente!
E por aqui me fico, que isto já não vai curto. Para rematar e embora seja manifesto que ele não precisa, permito-me deixar um conselho ao Engº Fernando Sequeira, tique de quem já viu largas dezenas de assembleias gerais em sectores de actividade de todo o tipo. Tem a ver com o estilo, ou com o tipo de registo como agora se diz. A disponibilidade para dizer apenas o que a audiência quer ouvir não é necessariamente o melhor caminho. É que não sendo isto uma empresa cotada em que todos os accionistas estão interessados na valorização do seu investimento, mas antes um clube de futebol com fins exclusivamente desportivos, estas coisas mudam a cada pontapé que vai à trave, a cada grande penalidade que fica por assinalar - e contra nós são tantas...! Nessa altura, os mesmos que aplaudem hoje são por via de regra os primeiros a pedir contas amanhã. Vem tudo n' "A Rebelião das Massas", de nuestro hermano Ortega y Gasset.

Resultados da Assembleia Geral

Proposta de empréstimo aprovada.

A favor: 280
Contra: 16
Abstenções: 38

As impressões, pouco famosas salvo o elevado número de participantes, ficam para depois.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Assembleia Geral Extraordinária

Nos termos conjugados dos Artigos 70º, 72º alinea C e 76º nº 1 alínea a) dos Estatutos do Clube, convoco a Assembleia Geral Extraordinária a realizar no dia 12 de Maio de 2008 (Segunda-feira), pelas 20.30 horas, no Pavilhão Acácio Rosa, com a seguinte

ORDEM DE TRABALHOS

1 – Assuntos de interesse do Clube.

2 – Concessão de autorização para a Direcção, contrair financiamento junto do Banif - Banco Internacional do Funchal, S.A., no montante, prazo e condições a negociar com aquele Banco, bem como prestação de garantias reais e obrigacionais, nos termos do art.º 84 dos Estatutos.

De acordo com o estipulado no Artº 73º dos Estatutos, se a Assembleia Geral não puder iniciar-se à hora marcada, por falta de número legal de Sócios, realizar-se-á meia hora depois com qualquer número de Sócios.

Lisboa, 28 de Abril de 2008

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Profº José Manuel Morais Anes

Julgo não errar se disser que esta tem todos os condimentos para que se constitua como uma das mais importantes assembleias gerais do Belenenses dos últimos anos. Pessoalmente, e ao contrário do que tenho por hábito de há alguns anos, tentarei estar presente na exacta medida em que sinto que me falta informação. Não tenho qualquer problema de princípio quanto a contrair financiamento, tanto mais que a experiência profissional dos membros da actual Direcção pode assegurar um negócio interessante (na medida do possível, tratando-se de um empréstimo). Acresce que a prestação de garantias reais - imobiliário, em português corrente... - me parece a coisa mais natural do mundo, pelo que, acreditando estar na presença de dirigentes sensatos, também não é por aí que o problema chegará.
Aquilo que eu ainda não percebi (pode ser erro meu), e é essa a razão que me leva a desejar poder estar presente, é o destino dos alegados cinco milhões de euros - e é isso que faço questão de entender. Na verdade, sendo as contas do Clube independentes das contas da SAD e sendo do conhecimento público que o Belenenses deve à SAD quantias relevantes apesar desta apresentar contas muito aceitáveis, eu penso que é importante saber qual o destino das verbas a encaixar. Isto entendido e, muito provavelmente, o pedido da Direcção encontrará em mim um aliado.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Do tempo presente

Houve uma altura em que eu, ainda recém-refeito da adolescência, tinha a mania que um dia havia de dar cartas no Belenenses. Presidente - aqui o confesso - nunca pretendi ser, mas ter voto na matéria era sonho de miúdo que me perseguia. A coisa prosseguiu até que cresci, não me largou e, a dado passo, a oportunidade parecia poder concretizar-se, um pouco na sequência daquela que reputo como a mais lamentável Assembleia Geral de sempre da História do Belenenses, aliás inferiormente dirigida pelo então presidente da Mesa Alberto Regueira. Meses volvidos e experimentada a (quase) campanha eleitoral, deixei-me disso: era muito baixa política para a minha camioneta, tão baixa que terminou aliás no Tribunal. Não tenho hoje a mais pequena ambição para além de ajudar sempre que isso pareça estar ao meu alcance - o que aliás tenho feito e continuo a fazer sempre que isso se me afigure possível.
Actualmente, mais do que o Belenenses "que herdei", interessa-me o Belenenses que "vou legar" aos meus filhos. E nesse quadro, parece que não sendo bastantes as forças de bloqueio que sopram do exterior, são os próprios belenenses os que primeiro entendem colocar pedras na engrenagem. Confesso que a perfeita consciência dessa percepção me custa. E custa-me desde logo porque tenho uma filha com cinco anos - quase seis - já plena herdeira da doença azul, que diariamente tem que enfrentar (diga-se que com grande merecimento, boa capacidade de resposta e sem papas na língua) uma turma alfacinha de lagartos e lampiões cheios do respectivo "merchandising" vendido em cada rua de Lisboa e me pergunta por que raio nada do Belenenses se vende em lado nenhum sem que eu lhe saiba ainda responder... - que mentir-lhe não é comigo! A mesma miúda que saiu do Estádio Nacional a choramingar, vai para uns meses, porque nunca lhe ocorreu que fosse possível perder com os lagartos. E, em paralelo, penso para com os meus botões que já viu o Belenenses numa final da Taça - feito que eu demorei mais de quinze anos a presenciar - e essa é que é essa!
Isto para constatar que embora cada vez mais pequenos, embora tenhamos a vida cada vez mais difícil, parece que somos sempre suficicientes para, ao invés de darmos as mãos remando num mesmo sentido (aquele que afinal de contas - caramba! - nos interessa a todos), criar ou acentuar a divisão. Com efeito, minimizada a ambição adolescente, vejo hoje com a clareza que algum distanciamento proporciona - embora com a mesma paixão clubista - que este estado de constante guerra civil que se vive para os lados do Restelo aproveita apenas aos nossos rivais.
Tudo o que antecede para rematar o seguinte: depois de em Abril uma data deles terem dado uma maioria (quase) esmagadora a Cabral Ferreira, os associados do Belenenses - pouco mais de uma centena, no caso concreto - chumbaram em Assembleia Geral nova proposta de Orçamento e aumento de quotização. Nada que constitua portanto novidade de maior, na medida em que a nega começa a ser um lamentável 'must' da vida do Clube. Eu, no lugar do Cabral Ferreira, para o ano não perdia cinco minutos que fosse a desenhar os quadradinhos...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Assembleia Geral Extraordinária é hoje

Convocatória: Nos termos conjugados dos Artigos 70º, 72º nº 1 e 76º nº 1 alínea a) dos Estatutos do Clube, convoco a Assembleia Geral Extraordinária a realizar no dia 27 de Setembro de 2007 (Quinta-feira), pelas 20.30 horas, no Pavilhão Acácio Rosa, com a seguinte Ordem de Trabalhos:

1 – Discussão e aprovação da alteração ao artº 36º dos Estatutos do Clube.
2 – Nos termos do artº 84º do Estatutos, submeter à discussão e aprovação da Assembleia a concessão de autorização para a Direcção contratualizar com o PEC o pagamento faseado das dívidas à Segurança Social.

De acordo com o estipulado no Artº 73º dos Estatutos, se a Assembleia Geral não puder iniciar-se à hora marcada, por falta de número legal de Sócios, realizar-se-á meia hora depois com qualquer número de Sócios.

Lisboa, 10 de Setembro de 2007
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Profº José Manuel Morais Anes